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Budapeste I

por Porta 63, em 25.04.15

Como já tinha mencionado num post anterior, há cerca de dois anos, por altura da Páscoa, tive a oportunidade de visitar a cidade de Budapeste, capital da Hungria. Completamente apaixonada por Budapeste, desta vez resolvi dar-vos a conhecer algumas das maravilhas desta cidade. Para evitar um post enorme, este será dividido em dois. Espero que estes sirvam para lhe dar a conhecer um pouco da beleza e riqueza desta cidade magiar.

 

Cidade

Para além da maior cidade húngara, Budapeste é também uma das maiores cidades da Europa central. A história húngara é extraordinariamente rica. Se é um amante de história, incluindo as ocupações romanas e otomanas, então não vai ficar indiferente à história deste país. Com muito para contar sobre esta viagem, desta vez não vou entrar em grandes pormenores históricos. Vale a pena referir que até 1873, Buda, Pest e Óbuda (antiga Buda) eram cidades distintas. Foi então nesse ano que, durante o (ainda) império austro-húngaro, estas se viriam a reunir, estabelecendo-se assim uma dupla monarquia entre Áustria e Hungria. A independência da Hungria em relação à Áustria viria a acontecer após a Primeira Guerra Mundial. No entanto, seria a Segunda Guerra Mundial a trazer muita destruição à cidade e ao país.

Uma das coisas que deve saber é que a Hungria manteve a sua própria moeda, ou seja, se quiser visitar o país terá de converter a sua moeda local para a moeda húngara – o florim húngaro (HUF) ou forinte (forint em húngaro; plural em português: florins ou forintes). Um dos motivos que me levou a escolher esta cidade foi o baixo custo de vida. Mesmo marcada quase em cima do joelho, a viagem de avião para Budapeste foi muito barata quando comparada, por exemplo, a outros destinos europeus. Não se deixe enganar se o bilhete para um museu lhe custar 1500 HUF. Se fizer a conversão, verá que estará a pagar apenas 5 euros.

Budapeste é uma cidade que transpira história. Por onde quer que ande irá sempre encontrar um edifício, um marco ou uma estátua com uma história para contar. O difícil será não arranjar o que fazer. No centro é comum deparar-se com pequenos mercadinhos onde pode comprar iguarias e souvenirs.

No que diz respeito à gastronomia, aqui irá encontrar muita paprica à mistura. Se gosta desta especiaria e de carne, então tem de experimentar o tradicional Goulash. Sopas e guisados fazem parte do menu tradicional, muito influenciado pelas diferentes gastronomias étnicas. Budapeste tem dezenas de bons restaurantes. Comer bem não é um problema, o preço ainda menos. Recomendo que experimente um dos restaurantes à beira-rio. Para além da vista espetacular sobre o Danúbio, às sextas-feiras à noite pode ainda gozar de um espetáculo folk enquanto janta.

Em termos de clima, os websites geralmente descrevem-no por esta altura como agradável com temperaturas a rondar os 10ºC. No entanto, o clima é um bocado imprevisível. Como irá reparar pelas minhas fotografias exteriores, ainda apanhei alguma neve e frio no final de março, por isso vá preparado.

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Pessoas e Segurança

Em relação aos húngaros, achei-os pessoas simpáticas e prestáveis, mas muito metidas na sua própria vida. O que para mim é um aspeto muito positivo. Em termos de segurança, não tive qualquer problema nem me senti insegura a circular pela cidade. Ainda assim, as minhas recomendações são as mesmas que para qualquer cidade – tenha cuidado com os seus pertences e com movimentações estranhas. Durante a minha visita à Basílica de Santo Estevão reparei nas movimentações de um casal que parecia muito interessado na minha máquina fotográfica. Não seja paranoico mas esteja atento.

Dica: os húngaros são também conhecidos por magiares (magyars), por isso não se surpreenda se vir essa palavra por todo o lado.

 

Transportes

Andar pela cidade é facílimo. A cidade está bem servida por autocarros e metro. A deslocação do aeroporto para a cidade foi feita usando o autocarro. Contudo, já na cidade, sempre que não me podia deslocar a pé, optei por fazer as minhas deslocações por metro dado o conforto e baixo preço. Se preferir, no aeroporto pode comprar um passe do metro para vários dias. Para tal, basta dirigir-se ao balcão de informações. Como curiosidade, o metro de Budapeste (Budapesti metró) é tido como o segundo mais antigo metro do mundo, logo a seguir ao metro de Londres. Mais informações sobre este metro aqui.

Dica: à medida que sai do terminal do aeroporto dá de caras com sinais a recomendar a não utilização dos serviços prestados pelos chamados taxistas cowboys ou taxi cowboys. Estes geralmente tentam angariar clientes assim que os turistas saem do terminal. Não caia nessa asneira. No início eles até lhe podem dizer um preço razoável mas assim que chega ao seu destino estes irão cobrar-lhe um valor muito mais elevado. 

 

Parlamento Húngaro (Országház)

Após a unificação das três cidades, em 1873, tornou-se quase que um desígnio nacional construir um edifício que bem representa-se a cidade e o país. Mandado edificar, em 1885, no lado Pest da cidade, a construção do parlamento húngaro ficou a cargo de um conhecido arquiteto húngaro, Imre Steindl, e terá sido em parte inspirado no palácio de Westminster, em Londres. Reza a história que este foi construído ao nível da água como símbolo do nascimento de uma nova democracia. Treze anos foram precisos para a completa construção deste edifício de estilo neogótico.

Estátuas de noventa monarcas húngaros e comandantes militares condecorados podem ser observadas nas paredes exteriores. No seu interior, mais de 150 estátuas de reis e importantes líderes podem também ser vistos, para além de elementos barrocos e da renascença. Localizado sobre as margens do rio Danúbio, este é atualmente considerado o maior edifício húngaro, um dos mais altos edifícios em Budapeste e o terceiro maior parlamento no mundo. Como pode ver pelas fotografias em baixo, é impossível não reparar nesta magnífica obra. Infelizmente, não cheguei a visitar o interior e como tal não tenho fotografias que o mostrem.

Este pode ser visitado quando o parlamento não está em sessão. Visitas guiadas em várias línguas estão disponíveis, infelizmente não em português. Mais informações aqui.

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 Ponte Széchenyi ou Ponte das Correntes (Széchenyi lánchíd)

Desenhada pelo engenheiro inglês William Tierney Clark, esta é uma das pontes que liga a zona Buda à zona Pest da cidade. Mandada construir em 1839, a ponte só seria inaugurada cerca de dez anos depois, em 1849. O seu nome serve de homenagem ao maior impulsionador da sua construção, o conde István Széchenyi de Sárvár-Felsővidék (1791-1860), um dos mais importantes políticos, teóricos e escritores húngaros. As suas características principais são as correntes de ferro que a sustentam e os leões que miraculosamente sobreviveram aos intensos bombardeamentos durante a Segunda Guerra Mundial que quase destruíram por completo a ponte e a cidade. Este é sem dúvida um dos maiores marcos da cidade. Aproveite para espreitar os leões com atenção e responder à seguinte pergunta: têm os leões desta ponte língua?

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Basílica de Santo Estevão (St. Stephen's Basilica ou Szent István-bazilika)

Considerada a maior igreja de Budapeste (máxima lotação de 8,500 pessoas), esta basílica católica romana foi mandada construir, em 1851, em honra de Santo Estevão I, primeiro rei da Hungria, cuja mão direita mumificada pode ver no relicário da basílica. Só em 1905, 54 anos após o início da obra, a sua construção viria estar finalizada. Em termos arquitetónicos, esta é na realidade uma catedral. No entanto, em 1931, foi-lhe atribuída o título de basilica minor pelo papa Pio XI. Com 96 metros de altura, este é o segundo edifício mais alto de Budapeste, a par com o Parlamento. A lei em vigor diz que nenhuma outra estrutura em Budapeste pode ter mais de 96 metros. O facto de tanto a basílica como o parlamente terem exatamente a mesma altura é tido como um símbolo de equilíbrio entre igreja e estado.

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Construída num estilo neoclássico, esta basílica contém duas grandes torres que albergam um total de 6 sinos. No seu interior, pode admirar as obras de alguns dos mais famosos artistas da época, bem como os lindíssimos vitrais e altares. Uma das coisas que mais me impressionou foi a luz quente e acolhedora desta basílica.

Vários programas musicais podem ser vistos ao longo do ano, incluindo concertos por alguns maiores organistas húngaros. A entrada para a basílica é grátis, mas se pretender poderá também visitar a cúpula (apenas entre a primavera e o outono), por um preço a consultar. Para subir à cúpula pode usar os elevadores ou subir os 364 degraus até ao cimo da igreja. Se puder, recomendo vivamente que o faça. A vista de Budapeste é absolutamente fantástica. Mais informações sobre eventos, horários e preços aqui.

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Praça dos Heróis (Hősök tere)

Uma das maiores praças em Budapeste, esta é conhecida principalmente pelo complexo de estátuas onde figuram os líderes das setes tribos húngaras que primeiro chegaram à Bacia dos Cárpatos. Bem no centro da praça encontra o Memorial do Milénio, construído em 1986, em comemoração do 1000º aniversário da conquista deste território. No topo da coluna deste memorial, está situada a estátua do arcanjo Gabriel que segura na mão direita a coroa húngara e na mão esquerda a cruz apostólica, enquanto na base estão representados os setes temidos chefes tribais liderados por Árpád. Por detrás do Memorial do Milénio, pode ver a colunata semicircular com as estátuas de alguns dos mais importantes homens na história da Hungria. As estátuas no topo da colunata representam a Paz, a Guerra, o Trabalho e Bem-estar, e o Conhecimento e Glória. Nesta praça está situado também o túmulo do soldado desconhecido.

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A ladear esta praça pode ainda ver o Palácio da Arte (Kunsthalle ou Hall of Art) e o Museu de Belas Artes. O parque da cidade (Városliget) encontra-se a pouco metros de distância.

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Museu da Agricultura Húngaro (Magyar Mezogazdasagi Muzeum)

No parque da cidade, nas costas da Praça dos Heróis, está localizado o Museu da Agricultura Húngaro. À primeira vista poderá pensar: museu da agricultura? Mas para quê que quero ver um museu de agricultura quando há tanto para ver em Budapeste? Pois fique a saber que o Museu de Agricultura Húngaro está localizado no Castelo Vajdahunyad, construído entre 1896 e 1908, por ocasião da Exibição Milenar que celebrou o 1000º aniversário da conquista húngara. Desenhado por Ignác Alpár, este castelo é constituído por um conjunto de edifícios inspirados em 21 edificações-chave do antigo Reino Húngaro, incluindo o famoso castelo gótico em Hunedoara (Hunyadvar), na Transilvânia, Roménia. Assim, não se surpreenda ao perceber que este consiste numa fusão de diferentes estilos arquitetónicos como o romanesco, o gótico, o renascentista e o barroco. Inicialmente construído em madeira e papelão, Vajdahunyad era suposto ser uma estrutura temporária. No entanto, este tornou-se tão popular que pouco tempo depois seria reconstruído em pedra, tijolo e mármore.

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Quer por fora, quer por dentro, o castelo é algo que tem de ser visto e admirado pelos seus próprios olhos. No seu interior, prepare-se para se perder por salas e mais salas repletas de objetos e histórias. Todas elas diferentes umas das outras. Se é fã do Conde Drácula ou apenas um curioso, é aqui que ficará a saber mais sobre o homem (e mulher) que serviu de inspiração a esta história. Digo-lhe apenas que, como sempre, tudo teve origem numa trágica história de amor.

Duas importantes estátuas podem ser vistas no recinto – a de Béla Lugosi (1882-1956), um actor húngaro-americano famoso por ter sido o primeiro a interpretar o Conde Drácula, e a de Anonymus (final do século XII - início do século XIII), o notário e cronista de um rei húngaro, possivelmente Béla III, famoso pelo trabalho Gesta Hungarorum, que detalha a chegada dos magiares à Bacia dos Cárpatos. Por entre os inúmeros museus e monumentos que já visitei, este foi sem qualquer dúvida um dos que mais gostei. Este é um museu que eu recomendo a todos, incluindo famílias. Mais informações sobre horários e preços aqui.

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Termas e Spas

Budapeste é famosamente conhecida pelas suas termas e spas interiores e exteriores. Ao lado do Castelo Vajdahunyad estão situadas uma das suas mais populares termas, a Szechenyi Spa Baths, cuja piscina exterior funciona também como ringue de gelo no inverno. Por uma questão de simplicidade, não vou entrar em grandes detalhes. Mais informações sobre este spa podem ser obtidas aqui.

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Como já deve ter percebido, muita coisa há para ver em Budapeste. No post seguinte continuarei a dar-lhe a conhecer algumas das mais importantes obras húngaras.

 

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